Aulas integradas em inglês e português ampliam o engajamento e abrem novas perspectivas para os alunos
Passados os primeiros dias desde a inauguração da Escola Professora Maria das Graças Silva, a primeira escola pública municipal bilíngue da capital, localizada no bairro Graciliano Ramos, o que antes era expectativa já se tornou prática cotidiana. O modelo de ensino bilíngue começa a mostrar seus impactos dentro e fora das salas de aula.
Na unidade, o idioma inglês não aparece apenas em um horário específico da grade curricular: ele está integrado às aulas de Ciências, História, Geografia e Matemática. Ao todo, os estudantes vivenciam 15 horas semanais de exposição ao idioma, associadas aos conteúdos pedagógicos.
Segundo a equipe pedagógica, uma das mudanças mais perceptíveis nessas primeiras semanas é o aumento do engajamento dos alunos. A curiosidade por novas palavras, expressões e formas de aprender conteúdos tradicionais em outra língua tem estimulado a participação e o interesse em sala.
“O aluno não está apenas repetindo palavras em inglês. Ele aprende conceitos, discute temas e constrói conhecimento em duas línguas”, explica o coordenador geral da unidade, professor Jefferson Simons.
Adaptação e descoberta
Como toda mudança, o início trouxe desafios. Alguns estudantes chegaram inseguros, principalmente aqueles que nunca haviam tido contato mais intenso com o idioma. A resistência inicial, porém, vem dando lugar à familiaridade.
Com o avanço das aulas, professores relatam que os alunos passam a compreender comandos com mais facilidade, interagir de forma espontânea e arriscar as primeiras construções no novo idioma.
A dinâmica alternada, com aulas em português em um turno e disciplinas em inglês no outro, tem contribuído para o processo de adaptação, garantindo equilíbrio entre o domínio da língua materna e a aprendizagem da segunda língua.
Sonhos que começam a mudar
Para a gestão escolar, o impacto mais relevante vai além da pronúncia ou da ampliação do vocabulário. A experiência bilíngue tem provocado mudanças na forma como os estudantes enxergam o próprio futuro.
O contato frequente com o inglês vem despertando conversas sobre intercâmbio, universidades e novas oportunidades profissionais, mostrando que o idioma pode ser uma ferramenta concreta para ampliar horizontes.
“O mundo do trabalho exige cada vez mais qualificação. O inglês é um diferencial real. Quando o aluno percebe que pode dominar essa ferramenta desde cedo, ele passa a enxergar novas possibilidades”, reforça a coordenação.
A voz dos alunos
No 2º ano A, Antônio resume a experiência de forma simples: “Tá muito bom”, afirma, contando que gosta das aulas em português e em inglês e da convivência com as professoras.
Já o aluno Nicolas Davi, do 3º ano, não esconde o entusiasmo ao falar sobre o que mais gosta na escola: “As aulas de inglês!”.
Ao explicar por que considera importante aprender o idioma, ele destaca a utilidade prática do conhecimento: “Para viajar e para se comunicar com outras pessoas”.
A naturalidade com que as crianças falam sobre o bilinguismo revela um aspecto importante: o aprendizado em duas línguas já começa a fazer parte do cotidiano.
Entre jogos pedagógicos, atividades interativas e conteúdos integrados, a escola consolida um ambiente de aprendizagem mais dinâmico, desafiador e conectado com o mundo.
Consolidação de um novo modelo
Se na inauguração o discurso era de inovação e esperança, agora o foco está nos resultados observados no dia a dia. A experiência mostra que o ensino bilíngue na rede pública municipal é possível, viável e transformador.
A rotina na Escola Professora Maria das Graças Silva revela que aprender inglês vai além de repetir frases prontas, significa ampliar perspectivas. E, nas salas do Graciliano Ramos, esse processo já acontece aula após aula, palavra por palavra.
Sobre a escola
A Escola Professora Maria das Graças Silva, primeira escola pública municipal bilíngue (inglês/português) da capital alagoana, foi inaugurada em 9 de março deste ano. Localizada no Conjunto Graciliano Ramos, no bairro Cidade Universitária, a unidade tem capacidade para atender até 710 estudantes do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental.
Secom Maceió